O Saneamento da Alma

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“Vai, vende tudo o que tens e dá-o aos pobres, e terás um tesouro no céu. Então vem e segue-me”
(Mateus, 19:21)


Quando nos deparamos com o apego as coisas materiais faz-se necessário relembrarmos esta fabulosa passagem onde o nosso divino Mestre Jesus aproveita uma situação que se apresenta a sua frente, conforme encontramos no relato contido no Evangelho de Lucas, onde um príncipe dirige-se ao Mestre e diz: Bom mestre, o que é preciso para eu alcançar o Reino dos Céus?

Jesus inicia a sua dissertação fazendo uma exortação a humildade, falando: Por que me chamas bom? Não há ninguém bom senão o Pai.

Em seguida enumera para o jovem os mandamentos da Lei: Não cobiçar, não adulterar, não roubar, não matar e honrar pai e mãe.

Encontrou como resposta do referido jovem que esses mandamentos ele guardava desde a mocidade.

Jesus, olhando no fundo a alma daquela pobre criatura, encontra o culto exterior preponderando em sua existência, e como de costume entre os judeus, o apego as coisas materiais, que era um questão quase que religiosa.

Com o intuito de deixar registrado nos anais da história, dá a seguinte lição; “vai, vende tudo o que tens e dá-o aos pobres, e terás um tesouro no céu. Então vem e segue-me”. A resposta não se fez esperar, não por palavras, mas pelas atitudes do mancebo que tristemente se afasta de Jesus, por achar por demasiado pesada aquela solicitação.

Todos nós, os mancebos ricos da atualidade, nos apegamos aos míseros tesouros do nosso egoísmo, e deixando o reino dos céus escorrer por entre os nossos dedos, damos as costas a Jesus, numa atitude transloucada.

O egoísmo, como é do conhecimento de todos, é o cimento que se encontra na construção dos castelos ilusórios das nossas vidas. Alicerce frágil que com o peso do apego ruirá e derribará por terra todos os nossos sonhos.

Enquanto não vasculharmos os porões das nossas consciências, para lá encontrarmos todo o lixo cumulado, produzido durante milênios, pelas nossas atitudes egoísticas, e num esforço hercúleo carregar tudo para o escoadouro do mundo, estaremos fadados aos inconvenientes das dores.

A providência Divina sempre aguarda que cada um de nós, por nossa iniciativa limpemos o porão das nossas almas; quando não se faz assim, somos conduzidos através da dor a empresa de saneamento da vida chamada prova, ou em alguns caos mais graves, expiação.

Façamos a higiene das nossas almas o quanto antes, para que o Administrador da vida não coloque em nossas mãos a imposição do trabalho.

Bendita a humildade que na simplicidade da vida proporciona o saneamento do mundo.


Irmão Cândido
(mensagem recebida por Paulo Guedes )